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CASTELO DE MERTOLA

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Castelo de Mértola

 

O Castelo de Mértola, no Alentejo, localiza-se na freguesia, vila e concelho de Mértola, distrito de Beja, em Portugal.

Em posição dominante sobre a povoação, na confluência da ribeira de Oeiras com a margem esquerda do rio Guadiana, controlava a passagem deste último. Atualmente integra a Região de Turismo Planície Dourada.

 História

 Antecedentes

Ocupada desde tempos pré-históricos, esta região constitui-se em importante entreposto comercial freqüentado por Fenícios e Cartagineses, graças à existência de vias fluvial e terrestre ligando-a ao Sul da península. Diante da Invasão romana da Península Ibérica, manteve-se essa importância comercial. A primeira referência histórica a esta povoação encontra-se na Crónica dos Suevos, do bispo Idácio, narrando um episódio datado de 440, de cuja leitura se pode inferir a existência de uma fortificação no local, então denominada Myrtilis Julia.

Ocupada sucessivamente por Suevos e Visigodos, a partir do século VIII conheceu a dominação Muçulmana, responsável pela remodelação das defesas deste próspero povoado. As referências a esta nova estrutura defensiva surgem no final do século IX, sendo certo que entre 930 e 1031, o castelo foi consolidado, tornado-se um dos mais sólidos da região. Com a queda do Califado de Córdoba 1031, Mértola tornou-se um reino independente - a Taifa de Mértola -, rapidamente retomado por Al-Mutamid, da Taifa de Sevilha. Um século mais tarde, entre 1144 e 1151, tornou-se novamente independente 2ª Taifa de Mértola, sendo provável terem sido erguidas nova obras defensivas durante o governo de Ibn Qasi 1144-1151. É certo que, em 1171, já sob o domínio dos Almóadas, a fortificação foi ampliada com uma torre e, em 1184, com o torreão integrante do portão de entrada.

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 O castelo medieval

À época da Reconquista cristão da península Ibérica, as forças de D. Sancho II 1223-1248 investem para o Sul, acompanhando ambas as margens do rio Guadiana, vindo a conquistar Mértola na margem direita e Ayamonte na esquerda 1238. A primeira foi doada à Ordem de Santiago, na pessoa de seu Grão-Mestre, D. Paio Peres Correia 1239. A Ordem, que já tinha sob sua responsabilidade a defesa de outras praças ao sul do país Alcácer do Sal, Aljustrel, e outras, fez de Mértola a sua sede Capítulo em Portugal, posteriormente transferida para o Castelo de Palmela. Em 1254 a povoação recebeu Carta de Foral, alçada à condição de vila. Data deste período a construção da torre de Menagem, cujas obras foram concluídas em 1292 sob a direção do mestre João Fernandes. Esta torre, bem como a alcáçova, foram a residência do alcaide-mor até ao século XVI, época em que a estrutura foi progressivamente abandonada.

Sob o reinado de D. Dinis 1279-1325, reedificou-se a primitiva defesa, iniciando-se a muralha da vila, obras continuadas pelos seus sucessores, D. Afonso IV 1325-1357, D. Pedro I 1357-1367 e D. Fernando 1367-1383.

Sob o reinado de D. Manuel I 1495-1521, a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas Livro das Fortalezas, c. 1509. A vila recebeu o Foral Novo do soberano em 1512, quando a sua defesa foi objeto de novos melhoramentos.

 Do século XVI ao XIX: abandono e decadência

Em que pese a importância de sua posição, estratégica no sul de Portugal, a povoação de Mértola e o seu castelo perderam importância a partir dos Descobrimentos portugueses. O declínio que conheceu a partir de então, refletiu-se na conservação de suas muralhas, de tal modo que, em 1758, acusava ruína e não dispunha sequer de guarnição militar.

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 A revitalização

Entre o século XIX e o século XX, a economia de Mértola dependia da exploração das minas de São Domingos, um grande centro de extração de pirita cúprica.

Em meados do século XX, as ruínas do antigo castelo foram classificadas como Monumento Nacional, tendo sido procedidas obras de reparação. Em razão da implantação de um projeto de revitalização, Mértola na atualidade é considerada uma vila-museu com diferentes áreas de intervenção e investigação, organizadas em três núcleos, em exposição na Torre de Menagem do castelo: o Núcleo Romano, o Núcleo Visigótico, que inclui uma basílica cristã, e o Núcleo Islâmico, onde se pode ver uma das melhores coleções portuguesas de arte islâmica cerâmica, numismática e joalharia.

 Características

Do perímetro defensivo medieval, com uma área de aproximadamente 2.000 m², nos estilos românico e gótico, subsistem:

trechos das exteriores muralhas que circundavam a vila, alongando-se até ao rio, reforçadas por cubelos

o castelo perímetro interno, com duas torres, destacando-se a de menagem.

Um torreão semi-cilindríco defende e integra o conjunto do portal de entrada do castelo. Através dele, ultrapassando-se um arco, obtém-se acesso a um corredor em cotovelo que comunica com a praça de armas. Ao centro desta, abre-se a cisterna, coberta por abóbada de berço.

A torre de menagem, de planta quadrangular, apresenta embasamento maciço e ergue-se a cerca de trinta metros de altura, coroada por ameias. O acesso ao seu interior é feito por uma porta em arco ogival, para uma ampla e alta sala, coberta por abóbada em cruzaria ogival. Atualmente, nesta sala conserva-se um valioso espólio de pedras lavradas das épocas romana, visigótica, islâmica e portuguesa até ao século XVIII.

Fonte WikipédIA

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