BannerFans.com

Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese
ONLINE
2


a

A

HIS

A


FORTE DE SÃO BRÁS

1

Forte de São Brás de Ponta Delgada 

O Forte de São Brás de Ponta Delgada, também referido como Castelo de São Brás, localiza-se na freguesia de São Sebastião antiga Matriz, na cidade e concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores.

Considerado o mais importante exemplar de arquitectura militar do século XVI e a mais poderosa fortificação da ilha, foi erguido sobre uma ponta no primitivo ancoradouro de ponta Delgada, com a função de sua defesa contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do Oceano Atlântico.

História

 Antecedentes

O estudo para a defesa das ilhas do arquipélago dos Açores iniciou-se em meados do século XVI, a cargo do Engenheiro Militar Bartolomeu Ferraz. No seu plano para a fortificação dos Açores, apresentado à Coroa Portuguesa em 1543, informou que as ilhas de São Miguel, da Terceira, de São Jorge, do Faial e do Pico estavam mais vulneráveis aos ataques de corsários e de hereges protestantes, e que os seus portos e vilas necessitavam de melhores condições de segurança. E justificou:

"Creia V.A. que é muito necessário fazer-se logo a dita fortaleza e mandar alguma artilharia para a defenção dos navios que surtem no porto, porque depois que se escreveu a V.A. vieram aqui, por duas ou três vezes, naus francesas e tomaram alguns navios em que tomaram um com cento e vinte e sete pessoas, em que estavam nove mulheres, do qual navio não há nenhuma nova e há mais de dez meses que o tomaram e por muito certo se afirma que todas as vezes que aqui vierem poderão roubar navios que no porto estiverem sem lhes poderem valer por falta de artilharia e fortaleza que não há, a qual agora é mais necessária por causa do grande crescimento que vai a ilha com os açúcares que agora se prlantam." Carta do Ouvidor da Ilha de São Miguel, Manuel Nunes Ribeiro, ao rei, c. 1550

O primeiro projeto para a sua construção foi de autoria do "Mestre das obras das capelas" dos Açores, Manuel Machado CARITA, 1989:197 que, a construir o molhe do porto de Ponta Delgada, apresentou um esboço em 1551, criticado no ano seguinte 1552 pelo matemático e arquiteto militar Isidoro de Almeida. Este, por sua vez, apresentou nova traça, profundamente alterada, já em 1553. Nesse ano, para as suas obras foi lançado um imposto de 2% sobre o pastel e o açúcar, além de outras contribuições da população, tendo a obra orçado os 36.672$542 cruzados. Nesse mesmo ano foi criada ainda a Confraria de Bombardeiros para guarnecê-lo, que chegou a São Miguel em 25 de Maio de 1554, integrada por nove bombardeiros sob o comando do Condestável Lourenço Baldaíque, trazendo artilharia, pólvora e munição. Posteriormente esses homens retornaram ao reino, permanecendo apenas o Condestável, para instrução a trinta micaelenses, alistados.

As obras prosseguiram até, pelo menos 1577 sob a direção do "Mestre de Fortificação" Pero de Maeda, natural de Meruelo, na Cantábria.

Em 1575, foi mandada apear a torre dos sinos do Convento de São Francisco, uma vez que a sua altura dominava o forte ainda em obras. Esta determinação mostrar-se-ia inútil, uma vez que, dois séculos mais tarde, em 1789, os terraços da mesma instituição sobrepunham-se aos parapeitos e ao terrapleno do forte.

A Dinastia Filipina

Devido à precariedade dos recursos para a sua construção, o forte apenas foi considerado capaz de defesa em 1580, momento em que materializava a Dinastia Filipina em Portugal Continental, faltando-lhe apenas as obras complementares.

Ponta Delgada sofreu o ataque, em meados de Junho de 1582 da esquadra francesa de António I de Portugal, o prior do Crato, sob o comando do almirante Filippo Strozzi. Na ocasião o forte, então sob o comando de Pero Peixoto da Silva foi ocupado, ao mesmo tempo em que as forças francesas se entregavam ao saque da cidade. A armada do Prior do Crato apenas seria derrotada a 26 de Julho desse ano, pela Armada espanhola sob o comando de D. Álvaro de Bazán, 1º marquês de Santa Cruz de Mudela, na Batalha Naval de Vila Franca.

El Castilho es una muy Ruyn fuerça, vindo a proceder-lhe diversas benfeitorias, entre as quais a implantação da cisterna ao centro da praça de armas, ao nível dos quartéis de tropa.

Ao final do século, a cortina a leste foi reforçada com a adição de um revelim, com traça de Luís Gonçalves Cota que se encontrava inacabado ainda em 1612.

 Da Restauração da Independência ao século XVIII

A partir de meados do século XVII o forte entrou em processo de decadência. A seu respeito, a "Relação dos Castelos e mais Fortes da Ilha de S. Miguel do seu estado do da sua Artelharia, Palamentas, Muniçoens e do q.' mais precizam", pelo major engenheiro João Leite de Chaves e Melo, informa:

Caste de S. Braz - Na Cidade de Ponta Delgada donde principiamos seguindo o rumo de Leste em torno da Ilha, e cuja ordem geografica seguimos no mapa respectivo, e no da população: fica pois o d.o Castelo fronteiro ao ancoradouro, e defende de flanco o Porto da Alfandega: tem hu'a ruina de 53 palmos e 7 polg.as de extenção na face exposta ao mar, do Baluarte de S. Pedro, de 30 d'alto, e 21 de profundid.e na rais da muralha, em q.' bate inceçantem.e o mar, e q.' pede por isto hu'a prompta, e emadiata ordem p.a se reedificar, a fim de evitar com a sua total ruina o decuplo da despeza agora necessaria: algu'as das suas prizoens, Armazens, e cazas estão sem sobrado, e as q.' o conservão he mui velho: xove em m.as p.tes, e geralm.e preciza no todo reedificado; porem o urgentissimo he a ruina do Baluarte, e os grãos nas peças de bronze q.' estão todas esfogonadas, de sorte q.' por algu'as coubera o punho de hum homem, se não fora a erregularid.e com q.' o fogo as come por cauza do estanho q.' entra na sua compozição e q.' se derete primeiro q.' o cobre: tem destas, isto he, peças de bronze 25, todas montadas e as caretas em bo' estado, e de ferro 3 no chão: Palamenta mui pouca e quaze toda velha; muniçoens 3 barris de polvora, e 2363 balas de diverços calibres, e tão carcumidas de ferrugem, q.' m.as ou quaize todas desmetem a sua figura esferica, e assim preciza-se com a polvora q.' o mapa aponta 30 balas p.a cada peça p.a os primeiros tiros, q.' pela distancia requerem mais exacção no tiro."

A fortificação foi palco ainda da chamada Revolta dos Calcetas 1835.

 Do século XX aos nossos dias

No início do século XX a capela do forte, consagrada a Santa Bárbara, foi demolida.

Na década de 1930, na área do Portão de Armas foi erguido o Padrão aos Mortos da Grande Guerra de 14-18, de autoria do arquitecto Raul Lino e do escultor Diogo de Macedo. Inaugurado em 4 de Novembro de 1935, o monumento encontra-se adossado à muralha do forte, sendo criticado por suas proporções - excessivas para a altura da mesma -, assim como desarmonia do seu enquadramento naqueles antigos muros. Afirma-se que o próprio Diogo de Macedo, ao visitar Ponta Delgada em 1951, lamentou a localização da obra.

No contexto da Segunda Guerra Mundial o forte teve as suas antigas canhoneiras entaipadas para a instalação de posições de metralhadoras pesadas, reforçadas algumas coberturas para resistirem a bombardeamentos aero-navais, abertos túneis de comunicação assim como trabalhos de camuflagem. Ainda nesse contexto, a partir de 1940 passou a servir como sede do Comando Militar dos Açores, função que conserva até aos nossos dias.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 39.175, de 17 de Abril de 1953.

Atualmente serve de quartel-general da Zona Militar dos Açores e, por Despacho de 1993, foi destinado a abrigar um Museu Militar, instalado em 1999.

 FONTE WIKIPÉDIA

q

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

A

a

a

A

BannerFans.com