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GUANABARA

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Guanabara

 

A Guanabara foi um estado do Brasil de 1960 a 1975, no território do atual município do Rio de Janeiro. Em sua área, esteve localizado o antigo Distrito Federal do país 1891-1960. A palavra guanabara tem sua origem no tupi guaná-pará, que significa seio-mar.

História

Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro, que em 1763 sucedeu a cidade de Salvador como capital do Brasil colonial e depois imperial, foi transformada no Município Neutro da Corte, permanecendo como capital do Império do Brasil, enquanto que Niterói passou a ser a capital da província do Rio de Janeiro. Em 1889, após a Proclamação da República do Brasil, a cidade do Rio continuou sendo a capital da nação e a província homônima foi transformada em estado. No dia 24 de fevereiro de 1891, mediante a promulgação da primeira constituição republicana do Brasil, o então Município neutro passou à categoria de Distrito Federal. Com a mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o Estado da Guanabara, de acordo com as disposições transitórias da Constituição de 1946 e da Lei Número 3 752, de 14 de abril de 1960 Lei San Tiago Dantas

Com o término da Era Vargas e o vislumbrar de uma nova fase política com o presidente Juscelino Kubitschek, iniciada em 1955, patrocinando a ocupação do interior do Brasil, que na prática eliminava o cenário político brasileiro das pressões sócio-políticas das grandes cidades e de setores políticos influentes, a construção de Brasília representava um baque nos interesses em jogo da elite carioca, pois minimizava o seu tranquilo status de centro das decisões políticas do país.

Diante dessa ameaça, com intensa mobilização entre os grupos políticos cariocas, ainda indecisa com os rumos que a cidade tomaria, optou-se pela criação da cidade-estado guanabarina, com o Estado do Rio de Janeiro que dá nome a capital, nas vizinhanças do jovem estado. Para alguns estudiosos, entretanto, o principal problema político não foi solucionado: a perda do poder político e econômico que os fluminenses possuíam até a Proclamação da República do Brasil, avizinhando-se um possível esvaziamento da cidade do Rio no mesmo sentido.

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A Guanabara foi o único caso no Brasil de uma cidade-estado. Em plebiscito realizado em 21 de abril de 1963, a população decidiu pela existência de apenas um município na unidade federada. O primeiro governador, José Sette Câmara Filho, foi nomeado pelo presidente da República e exerceu o cargo até 5 de dezembro de 1960, quando o passou para o primeiro governador eleito, Carlos Lacerda, que exerceu o cargo por cinco anos.

O Governo Lacerda dinamizou mudanças radicais na cidade, ao promover a remoção de favelas para outras regiões e a consequente criação da Vila Kennedy e da Cidade de Deus, a construção da adutora do Rio Guandu para o abastecimento de água à cidade e uma série de modificações paisagísticas. Dentre as principais obras realizadas na cidade nesse período, destacam-se a abertura do Túnel Rebouças, o alargamento da Praia de Copacabana e a construção da maior parte do Parque Eduardo Gomes.

Nesse período, também foi organizada a Companhia Estadual de Telefones, cuja missão foi a de instalar serviço de telefones automáticos nos afastados subúrbios, como Irajá, Bento Ribeiro, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, na baixada de Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, assim como na Ilha do Governador e na Ilha de Paquetá. Anos mais tarde a companhia estadual foi incorporada ao sistema telefônico fluminense, que, através da TELERJ, passou a atender o restante do estado após a fusão.

A pedido de Lacerda, foi efetuada a elaboração do Plano Doxiadis, conjunto de projetos ligados a área urbanística. A Linha Lilás foi a primeira a ser construída, entre as décadas de 1960/1970 e a Linha Verde foi apenas parcialmente construída. Já a Linha Vermelha e a Linha Amarela foram desengavetadas e concretizadas na década de 1990. Todas, baseadas no plano que ainda previa as linhas Azul e Marrom.

Os outros governadores eleitos para exercer a chefia do Poder Executivo da Guanabara foram Francisco Negrão de Lima de 1965 a 1970 e Antônio de Pádua Chagas Freitas 1970 a 1975, em cujo governo foi construído o emissário submarino de esgotos de Ipanema.

Pela Lei complementar número 20, de 1 de julho de 1974, durante a presidência do general Ernesto Geisel, decidiu-se realizar a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a partir de 15 de março de 1975, mantendo a denominação de estado do Rio de Janeiro, voltando-se à situação territorial de antes da criação do município neutro, com a cidade do Rio também voltando a ser a capital fluminense.

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A condição de cidade-estado permitiu que a Guanabara, mesmo depois de perder verbas federais com a transferência da Capital Federal para Brasília, desfrutasse de uma elevada receita per capita de dupla arrecadação com os impostos municipais e estaduais, o que lhe possibilitou o financiamento do grande número de obras públicas realizadas durante a década de 1960. Era um estado rico, ao contrário do vizinho estado do Rio de Janeiro, que era pobre, com uma economia que se esvaziava desde 1927 mesmo com a industrialização ocorrendo no eixo Rio-São Paulo.

Os investimentos efetuados foram considerados instrumentos de estímulo à reinserção da Guanabara num novo cenário político e econômico brasileiro. O governo federal tirou da gaveta a antiga ideia de uma ligação entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói por uma ponte, a qual seria um símbolo da fusão. Foi construída, então, a Ponte Costa e Silva. Outros investimentos federais foram implementados no estado do Rio de Janeiro, como as usinas atômicas de Angra dos Reis, porém, com a fusão, a cidade do Rio de Janeiro perdeu arrecadação estadual e teve sua economia fortemente afetada pela fraca economia do estado do Rio de Janeiro.

Movimentos contrários à fusão

Em 2004, às vésperas do aniversário de trinta anos da fusão, o político Alfredo Sirkis lançou um movimento pela recriação do estado da Guanabara, o Autonomia Carioca, por considerar que a fusão dos dois estados foi prejudicial à cidade do Rio de Janeiro. O movimento propunha a realização de um referendo para decidir o tema. Em seu sítio na internet, foram recolhidas 2473 assinaturas.

Um dos fatores que prejudicaram o movimento pela desfusão foi o fato de a ideia, nos dias de hoje, ser extremamente impopular entre as camadas menos abastadas da população o que fez a oposição a este movimento o tachar de elitista, tanto da cidade quanto do estado do Rio, devido aos gastos administrativos e fiscais que seriam criados com a desfusão.

Em 2008, outro movimento, chamado O Rio Decide, lançou uma nova campanha pela desfusão.

FONTE WIKIPÉDIA

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