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HIST.PÓVOA DE VARZIM

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História da Póvoa de Varzim

 

A História da Póvoa de Varzim é anterior à da fundação de Portugal e fruto de várias influências do sul e do norte da Europa, do Mediterrâneo ao Báltico. A cidade surge como uma villa romana denominada Villa Euracini cuja economia assentava numa fábrica de conservas de peixe. Na Idade Média, o topónimo Villa Euracini já tinha evoluído para Villa Veracin e tinha-se tornando num relevante porto pesqueiro, e por isso o seu controlo foi disputado por nobres, sediados num lugar da vila denominado Veracin dos Cavaleyros Varzim dos Cavaleiros, levando a que D. Dinis passe uma carta de foral e ordene a criação de uma Póvoa em 1308. Algum tempo mais tarde, depois do controlo feudal e real, impõe-se sobre a urbe o domínio da igreja, através do Mosteiro de Santa Clara, ao contrário de outros municípios do reino teve o seu desenvolvimento dificultado, levando a um novo foral, em 1514 por D. Manuel I e só a partir daí é que a comunidade teve autonomia suficiente para poder prosperar, acabando por dominar cultural e demograficamente a região circundante. O século XVIII é visto como o século de ouro para o desenvolvimento urbano da Póvoa de Varzim. É neste século que a comunidade piscatória prospera, e inicia-se a tradição dos banhos de mar, levando a vila-cidade a tomar feição cosmopolita no século XIX, em plena Belle Epoque.

No entanto, as origens do povoamento são ancestrais. Antes do império Romano, a cultura castreja era a civilização dominante e a cidade irrompeu como deslocalização de uma cidade castreja denominada cividade de Terroso século X a.C.- século I d.C para a beira-mar que por sua vez foi também erigida pelos povos que habitavam à beira-mar. Este avanço e recuo dos habitantes no território foi bastante comum até ao final da Idade Média, devido a várias contendas históricas que sugiram de perigos vindos pelo mar, grande via de transporte antiga, que acabava por ser uma porta de assaltos à população, mas que era um factor de atractividade devido à sua maior riqueza natural e potencialidades comerciais.

Etimologia

O nome Villa Euracini aparece pela primeira vez documentado a 26 de Março de 953, no Livro da Condessa Mumadona Dias, em Guimarães. Desde então, várias denominações da cidade têm sido conhecidas: Vila Ueracini 1033, Vila Uerazini 1061, Vila Ueracin 1206, Varazim 1308, Bajlya da Poboa Noua de Varazim1343, Villa da Povoa de Varzim 1514.

Como se pode verificar, o velho gentílico de origem romana Euracini foi evoluindo ao longo de séculos, de EURACINI passou a URACINI  VRACINI  VERACINI VERAZINI  VERAZIM  VARAZIM até chegar ao VARZIM dos dias de hoje. A prova da evolução do nome Varzim figura, curiosamente, nos primeiros documentos escritos em português.

Todavia, outrora era popular uma outra origem para o nome Varzim, havendo ainda quem o classificasse de origem germânica dado ser da época da reconquista a mais antiga referência e além de aspectos culturais e históricos. No entanto, dados arqueológicos e até mesmo da evolução linguística, colocam "Varzim" como de origem romana. Existe ainda uma outra teoria, de que derivaria de "Várzea". Esta teoria encontra-se totalmente desacreditada, mas é comum ressurgir quando são usadas como referências certos documentos antigos, cujos autores desconheciam a documentação medieval.

A palavra Póvoa, um tipo de vila medieval, foi adicionada em 1308 pelo rei D. Dinis aquando do foral em que o rei ordena a criação de uma póvoa no seu reguengo em Varzim.

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Povoamento: 200 000 a.C. - 900 a.C.

As origens do povoamento da Póvoa de Varzim datam de cerca 200 000 a.C., durante o paleolítico inferior com o achado de um biface acheulense em Beiriz e com os mesmos indícios acheulianos nas terras vizinhas de Vila do Conde e Barcelos. Contudo, os vestígios mais antigos, datados do Paleolítico, foram achados a norte de Aver-o-Mar, comprovando a forte atractividade do mar desde tempos muito remotos.

Os primeiros grupos de pastores instalaram-se em todo o litoral por volta do IV milénio e os inícios do II milénio a.C. As mamoas, nas quais o homem depositava os seus mortos, são os monumentos mais antigos no concelho. Apesar de milhares de anos de povoamento, ainda são visíveis cinco mamoas, quatro em volta do monte de São Félix, que se encontram todas violadas, e uma na encosta do monte da Cividade que se encontra inviolável após milhares de anos, a que se chama Mamoa de Sejães. Existem ainda evidências de pinturas rupestres no Cabo de Santo André.

Era castreja: 900 a.C. - 138 a.C.

A Era Castreja inicia-se no Século X a.C. e termina com a chegada dos romanos em 138 a.C. No primeiro milénio a.C., algo mudou na região, com os saques e pilhagens levados a cabo por tribos rivais a motivar o abandono da planície litoral para a protecção fornecida pelos montes, em especial no monte mais próximo ao mar, erguendo um povoamento, a que hoje se chama, Cividade de Terroso.

O povoamento da Cividade de Terroso, um povoamento fortemente fortificado, terá sido feito no decurso da Idade do bronze, entre os anos 900 e 800 a.C  como consequência da deslocação das populações residentes na planície litoral da Póvoa de Varzim. Isto é suportado pela descoberta de fossas ovóides, escavadas em 1981 por Armando Coelho, tendo sido recolhidos fragmentos de quatro vasos deste período. Segundo Armando Coelho: fazem supor relações de parentesco, ou melhor dizendo, de filiação mútua, em que a rocha firme sobre que se implantaram, bem como a utilização de elementos de pedra na sua construção, correspondendo ao teor geral da arquitectura da Cividade".

A cividade passou por várias fases de urbanização: as primeiras construções em pedra só começaram a tomar forma no século V a.c O castro já mantinha relações comerciais com as civilizações mediterrânicas, principalmente durante o domínio cartaginês do sudeste daPenínsula Ibérica.

No seu apogeu, a cividade teria perto de 12 hectares e habitavam-na várias centenas de pessoas. A população dedicava-se à agricultura, pesca, recolecção,pastorícia e trabalhavam os metais.

Pequenos castros satélites da Cividade foram erguidos em Laundos monte de São Félix, Navais e Argivai.

Era romana: 138 a.C. - 410

A Era romana inicia-se no Século II a.C. para terminar no século V d.C. Durante as guerras púnicas, os Romanos tomaram conhecimento da riqueza da região castreja em ouro e estanho. Viriato que liderava as hostes lusitanas impedia o crescimento do Império Romano para o Norte do rio Douro. No entanto, o seu assassinato em138 a.C. abriu caminho para as legiões romanas. Entre este ano e 136 a.C. Décimo Júnio Bruto vindo do Sul do Douro avança pela região castreja, esmaga osexércitos castrejos e toma a Cividade de Terroso deixando-a em ruínas e cinzas.

A região é incorporada no Império Romano e totalmente pacificada durante o domínio de César Augusto. Na planície litoral, é criada uma villa romana, propriedade de uma família romana, os Euracini a que se terá juntado o povo castrejo que regressaram à vida na planície - assim terá surgido Villa Euracini.

A villa ter-se-á localizado no centro histórico da cidade da Póvoa de Varzim; na rua da Junqueira encontraram-se achados que datam deste período, a zona de Vila Velha, também no centro da cidade, apresentava indícios de povoamento romano, mas devido a ser uma zona bastante povoado não é possível fazer pesquisas arqueológicas. A actividade piscatória também se desenvolveu com a cetariæ no Alto de Martim Vaz zona do Bairro Norte dos dias de hoje. A cetariæ era um complexo fabril de salga e transformação de pescado, v. g., em garum, estando associado à villa romana. Uma via romana litoral ligaria a zona de Martim Vaz à Foz do Douro Porto, e seguiria para norte, até Caminha.

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Alta Idade Média: 410- 953

O Império Romano acaba por ceder à invasão de povos germânicos os Bárbaros e posteriormente de mouros, numa era de invasões sucessivas que vão do século V ao século IX.

No noroeste da Península Ibérica, chegam os Suevos que com outros povos, criam pequenos núcleos habitacionais em redor de Villa Euracini, nomeadamente Argivadi e Regufe.

Viria também a sofrer uma breve invasão islâmica, que devido à sua brevidade, as suas marcas são ténues.

Depois da invasão é incluída no Reino de Leão, como parte do Condado Portucalense, uma divisão do Reino da Galiza também, por si mesma, uma dependência do Reino de Leão.

A partir do século IX, pescadores Viking provenientes da Bretanha acabam criando uma colónia pacífica na Póvoa de Varzim. No século X, os Normandos/ Vikings viajam pelo noroeste peninsular, conquistando ou estabelecendo-se como comerciantes ou colonos; na Póvoa de Varzim as suas incursões vão desde a costa até aoRio Este, estabelecendo-se como limite sul, o Rio Ave.

Do Feudalismo ao Foral Dionísio: 953 - 1318

A primeira referência escrita da Póvoa de Varzim que se conhece e já como villa portuguesa é feita em 953. As origens do porto remontam ao século XI dado que é desta época que a enseada começou a ser usada regularmente por embarcações, por ser uma zona mais ou menos abrigada. Teve importância fundamental para o desenvolvimento da Póvoa de Varzim.

A riqueza do seu mar atraiu fidalgos e cavaleiros para o território. A parte norte pertencia à Ordem Militar do Hospital, chamando-se por isso Varzim dos Cavaleiros. A parte sul de Varzim, terra reguengueira, já teria importância piscatória e agrária considerável, e por causa disso, existiam algumas confrontações pelas rendas derivadas da pesca.

D. Guterre Pelayo, natural da Gasconha, veio de França com o Conde D. Henrique no século XI, tornou-se senhor de Varzim. Segundo o Livro Velho de Linhagens, recebeu do conde o porto de Varzim entre muitas outras possessões.

Conforme documentos de 1198, 1203 e 1206, a Póvoa de Varzim denominava-se Villa Verazim Vila Varzim, descrita que ficava abaixo dos montes da Cividade de Terroso e de Lanudos, algo que faz ainda hoje todo o sentido.

Um dos bisnetos de Guterre Pelayo, Lourenço Fernandes da Cunha foi um dos cavaleiros que, em 1176 que acompanharam o infante D. Sancho no ataque a Sevilha, cidade islâmica no sul da Península, voltando com bons despojos de guerra. Tinha grande fortuna em Villa Verazim e arredores. No lugar de Veracim dos Cavaleyros Varzim dos Cavaleiros, que era honra dos cavaleiros, que diz "ouvyron dizer que o foy de longe", tinha dois paços de filhos e netos. Em 1220, a Ordem de Malta tinha ali bens. O Templário Gualdim Pais foi um seu descendente, deixando ao Templo o que há em Avelamar Aver-o-Mar ou Lugar de Martim Vaz ou Martim Pais.

Nas inquirições de 1220, diz-se que no Reguengo de Varzim, que era pousa do mordomo do Rei, havia 20 casais, que davam ao rei, quando aí vinha, 6 dinheiros por pensão; Por fôro, se não iam ao mar à sexta-feira, pagavam 5 mealhas pequena moeda de cobre de pouco valor; e pagavam do pescado o seu navão um peixe de cada barco.

Um dos filhos de D. Lourenço era Gomes Lourenço, que foi muito influente e padrinho de D. DinisD. Gomes Lourenço, deduz-se das próprias Inquirições de 1290, aproveitou as suas relações com pessoas importantes para lhe reconhecerem como honra o porto de Varzim, localizado no reguengo de Veracim de Jussãao Varzim de Jusão, tentando convencer D. Dinis de que seu pai, Afonso III, lho tinha usurpado injustamente. Assim, D. Gomes e sua linhagem, que fazem parte da honra de Varzim honrra de Veracim, vão ao porto obter o navão dos pescadores, com a justificação da honra de Varzim.] D. Gomes e D. Dinis já tinham questões por causa de metade do direito do padroado na igreja de S. Miguel da Cunha, que o tribunal eclesiástico de Braga em 1285 declarou o rei como verdadeiro possuidor.

Em 1308, o rei D. Dinis passou uma carta de foral, doando o reguengo a 54 casais de Varzim; estes teriam que fundar uma "póvoa", um povoamento medieval, constituírem-se em vizinhos homens-bons desse concelho, com eleição de um juiz, um foro colectivo de 250 libras e direitos de aportagem. Muitos dos nomes dos 54 chefes de família são ainda hoje apelidos na comunidade piscatória. Dessas 54 famílias, 42 viviam da pesca e as restante doze da agricultura. Apesar das 250 libras por todos, a mercê dava autonomia à comunidade, evitando a ida às justiças de Faria ou posteriormente, a de Barcelos, ao domínio feudal e até ao mordomo do rei, levando ao desenvolvimento da urbe. Uma cláusula do foral manda os povoadores, que trouxessem barcas ou baixeis, com pão, vinho, sal ou sardinhas, e descarregassem no porto da Póvoa de Varzim, dessem de cada barca ou baixel, 7 soldos. Eram os direitos da alfândega que pertenciam ao rei e que substituíam o navão.

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Mais sobre este período:

Porto de Varzim - Das motivações para o foral Dionísio

Largo das Dores - Núcleo primitivo de Varzim, Igreja e Lenda de Santa Maria de Varzim

Bairro da Matriz - Núcleo urbano quatrocentista e a afirmação da burguesia

Giesteira,Argivai

Do domínio eclesiástico ao Foral Manuelino: 1318-1537

Em 1312, D. Dinis terá doado a Póvoa ao filho bastardo Afonso Sanches, senhor de Albuquerque. Em 1318, D. Afonso Sanches e sua esposa instituíram o mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde, com um dote bastante rico, dando-lhe «as nossas villas e luguares que chamam de Povoa de Varzim, e todallas nosas herdades de Touginha e de Veerjz e de Tarroso, e de Formarjz, e de Landõo, e de Nabaaes, e de Miranei, com casaaes e herdades . E retemos pera nos e pera aquelles que depois nos vierem a justiça e apellaçõees de Varzim e non al». A Póvoa ficou assim na dependência jurisdicional do Mosteiro, salvaguardados os casos de apelação.

O rei D. Afonso IV nas suas inquirições de 1343 procura saber dos bens das ordens religiosas. A abadessa do mosteiro mostra uma carta grande e, em latim, da qual D. Dinis dera, a Afonso Sanches, Varzim de Jusão, cujo fôro real de 250 libras eram do convento. A abadessa não teria direitos sobre a bailia da Poboa Nova de Varazim, da Ordem de Malta, nem nos casais do rei. Certos estudiosos suspeitavam que esta doação era de 1305, anterior ao foral.

Em 1367, o rei D.Fernando confirma os foros, privilégios e usos da Póvoa de Varzim, reconfirmados novamente por D.João I, em 1387. Cinco anos antes, o mesmo rei confirmou a jurisdição do Conde de Neiva sobre a Póvoa, desconhecendo-se a data de atribuição, mas por alvará régio de 17 de Fevereiro de 1466, foi determinado por D. Afonso V que nenhuma pessoa poderosa entrasse na Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

O domínio do mosteiro foi-se impondo sobre a Póvoa que chegou a ser total, danoso para os poveiros. Quando a bailia dos cavaleiros acabou, a abadessa tomou a liberdade de mandar o seu ouvidor confirmar o juiz poveiro, ou de julgar as apelações, cobrando até mesmo os dízimos da alfândega. Os poveiros pedem repetidamente a D. Manuel I para terminar com a situação e serem governados directamente pela coroa. As abadessas, por outro lado, eram apoiadas por famílias influentes.

O rei D. Manuel I, no quadro da reforma dos forais e abolição do antigo direito costumeiro, concedeu um novo foral à Villa da Povoa de Varzim em 1514, no qual alterava a parte financeira do antigo foral e acrescentava novos mecanismos para a jurisdição do mosteiro, algo que será posto em prática nos anos seguintes. Na Póvoa ergue-se uma Casa do Concelho, Praça Pública e Pelourinho e envolveu-se nas conquistas e descobrimentos portugueses. O Pelourinho mandado erigir era encimado pela esfera armilar de D. Manuel, símbolo dos descobrimentos. Em 1537, a Póvoa é incorporada na Coroa, anexada à comarca do Porto, conseguindo assim plena autonomia.

De pilotos de naus a pescadores 1537 - 1892

No século XVI, os pescadores passaram a desempenhar funções ligadas à actividade marítima, como pilotos ou mareantes na tripulação das naus portuguesas, devido aos seus elevados conhecimentos náuticos. Nesta época as principais profissões eram as de lavrador, mareante, marinheiro, piloto, carpinteiro, calafate e carpinteiro da Ribeira. No reinado de D. João III já era reconhecida a arte da construção naval poveira, levando a que carpinteiros poveiros sejam solicitados pelos estaleiros da Ribeira das Naus em Lisboa devido à sua capacidade técnica.

No século XVII, há um aumento da construção naval na zona da Ribeira, e um terço da população estava ligada a esta atividade, construindo embarcações para navegação mercante. A profissão de carpinteiro da Ribeira passou, assim, a ser a principal, seguida de pescador e lavrador. No final do século, descobre-se ouro no Brasil, o que fez aumentar a emigração para essas novas terras.

Até à época seiscentista a actividade piscatória era pouco desenvolvida. O negócio da salga de peixe desenvolveu-se bastante nesta centúria, o que leva a que, um século depois, a Póvoa se transforme na maior praça de pescado do norte do país, abastecendo até mesmo as províncias do interior do país com um batalhão de almocreves.

Este século foi importante para a organização da Póvoa de Varzim. Do ponto de vista civil, fez-se a reforma eleitoral de 1612, a reforma fiscal de 1656 com o Foral de Sisas e a anexação de Aver-o-Mar e a luta contra a Casa de Bragança devido aos limites do termo. Na época assiste-se a uma expansão urbana: o centro cívico da Praça onde se localizava a Casa da Câmara e a Capela da Madre Deus, a zona de Vila Velha onde se localizava a Igreja Matriz e o aglomerado piscatório da Junqueira, em fase de afirmação como novo pólo. A nível religioso, faz-se a formação de associações de cariz religioso, a instituição das celebrações da Semana Santa e as obras de ampliação da Igreja Matriz, situada no Lugar da Mata em Vila Velha.

No início do século XVIII, há um declínio dos estaleiros da Ribeira, devido ao assoreamento da costa nacional e os estaleiros poveiros passam a se dedicar à construção de embarcações de pesca. Houve um aumento significativo da comunidade piscatória a partir de meados do século, passando a ser a principal actividade laboral, e no reinado de D. José com o país no meio de uma crise económica, a Póvoa inicia um rápido desenvolvimento. Este desenvolvimento à custa das actividades piscatórias deveu-se, em boa parte, a leis proteccionistas por parte dos reinos de Portugal e Espanha. O pescado que abastecia o mercado nacional era, desde o século XVI, proveniente da Galiza.

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É desta altura a construção de várias igrejas e da criação da Santa Casa da Misericórdia. A Confraria de Nossa Senhora da Lapa, Amparo dos Homens do Marfundada em 1761 pelos pescadores pede o aforamento dos «chãos de areia» para que fossem autorizados de aí fixar as suas casas.

Nas Memorias economicas da Academia real das sciencias de Lisboa diz-se que os pescadores da Póvoa de Varzim são os mais atendíveis de toda a costa do Minho, e são os mais peritos e mais práticos desde o Cabo de São Vicente a Caminha, com um número considerável de pescadores, embarcações e aparelhos de pesca, cujo resultado é uma muito considerável quantidade de pescado, notando que «Os Pescadores da Povoa de Varzim andão continuamente no mar, eles não se contentão com a Pescaria feita perto da Costa, vão buscar peixe a mares, que ficão a dez, e doze legoas desviados da dita Villa.» Em 1789, contavam-se 1340 pescadores, entre pais e filhos. A Póvoa tinha 900 fogos, maioria dos pescadores e o restante de ofícios mecânicos, porém poucos. O Corregedor Almada, através da provisão régia de 1791 por Maria I reestrutura a urbanização da Póvoa de Varzim, criando uma Praça Nova onde são levantados uns paços do concelho monumentais, é levantado o Aqueduto de Coelheiro para levar água até ao centro da urbe, ergue-se o paredão do porto da Póvoa de Varzim, constroem-se as Casas da Cadeia, Rio Novo e Rua Nova das Trempes. D. Maria I a fez ainda sede de um juiz de fora]

Um dos inventários da pescaria poveira nota que para o ano de 1866, o produto das transacções realizadas na Póvoa, tanto pelos pescadores directamente como pelas pessoas que negoceiam o pescado, elevava-se a 230 000$000 réis e o produto das pescarias vendidas de Caminha à Figueira da Foz era de 180 000$000 réis. O imposto pago na estação fiscal foi de 5000$000 réis. Saiam anualmente para a cidade do porto 1600 barricas de sardinha e mais de 3000 cargas de peixe. Porém, o número de cargas para o Minho, Trás-os-Montes e Beira Alta era incalculável. Dizia-se que «Asseguram os conhecedores da Povoa que se, em qualquer mappa estatistico, podesse figurar com verdade a importancia da exportação do peixe para aquellas provincias, poucas pessoas o acreditariam, por se lhes figurar maravilhoso.»

A 27 de Fevereiro de 1892, dá-se a maior das tragédias que há memória na comunidade piscatória poveira, quando morrem 105 pescadores no meio de um temporal, ao largo da praia. O final do século XIX foi assim trágico para os poveiros, que para além disso a sobre-pesca por barcos a vapor autorizados pelo governo nacional, nomeadamente com a rede de malha miúda que apanha até mesmo o peixe juvenil, faz com que a abundância de peixe de outrora, e que tinha levado à prosperidade da comunidade, comece a rarear de forma muito significativa, criando problemas sociais graves e à emigração dos pescadores.

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Mais sobre este período:

Rua da Junqueira - Da afirmação populacional dos pescadores poveiros à burguesia comercial

Bairro Sul, Rua dos Ferreiros, Rua da Areia - Estabelecimento do bairro piscatório

Praça do Almada - De calçada quinhentista ao centro urbano

Largo das Dores - A Primitiva Igreja Matriz e a Fome de 1811

Disputas territoriais com a Casa de Bragança

A questão da delimitação do concelho da Póvoa de Varzim com Barcelos foi um contencioso que durou desde o século XVI ao século XVIII. A Póvoa considerava que os limites do concelho de Barcelos entravam pela sua vila adentro. Nos forais, tanto o de D. Dinis e confirmado pelo de D.Manuel, a Póvoa tinha isenção de termo e o direito de recurso à coroa, o que era visto como grandes privilégios.

Assim, os limites da Póvoa de Varzim foram controversos dado que os seus forais não delimitavam termos, isto tornou-se bastante relevante a partir do momento em que a Póvoa passou para a comarca do Porto, em meados do século XVI, tornando-se num enclave no Minho. A delimitação com Vila do Conde da Casa de Bragança eram pacíficas, se bem que alguns documentos na época citem que a Póvoa faria fronteira a toda a volta com Barcelos. No entanto, as fronteiras a Norte e Leste com Barcelos também da Casa de Bragança foram motivo de confrontos entre os dois concelhos, por serem já amplamente habitados. Para a Póvoa o seu território correspondia à antiga paróquia de Argivai, que incluiu as freguesias actuais da Póvoa de Varzim e Argivai, ou a da medieval Villa Euracini. Esta questão era relevante por causa da Gândara, que na época já era um lugar bastante povoado e Vila Velha - o velho lugar denominado Varzim dos Cavaleiros.

Para Barcelos, que reclamava a primazia da região, apenas Varazim de Jusão, do foral de D. Dinis, é que deveria ser do concelho da Póvoa de Varzim - o que corresponde apenas à parte sul da freguesia eclesiástica da Póvoa de Varzim, indo desde os lugares da Junqueira até Moninhas, passando pela Mariadeira até Penalva de Regufe e metade de Regufe. Isto não impedia que a realidade paroquial fosse diferente da fiscal, a Capela da Mata escolhida para servir de Matriz da Vigaria estava fora desses limites, junto de Vila Velha. A Capela passou a denominar-se Igreja de Santa Maria de Varzim. A Câmara também conseguiu junto do Cabido de Braga o direito de ser fabriqueiro e Juiz da Igreja estendendo a sua jurisdição para além do termo civil.] Em 1694, a discórdia entre as Câmaras da Póvoa e de Barcelos sobre os limites territoriais agudiza-se e é levada a tribunal.

Em 1707, conforme determinação régia, o Corregedor Gaspar Cardoso demarca a Villa da Póvoa de Varzim expandindo-a para norte e nascente passando a incluir os lugares de Vila Velha, Alto de Martim Vaz, Barreiros e Gândara, lugares que fariam parte de Villa Euracini, considerando nulas as demarcações da Casa de Bragança. Esta expansão territorial civil terá sido feira à custa do território de Argivai, Baptista de Lima refere que também à custa de Beiriz, notando que a zona a norte da rua do Carvalhido hoje Rua Elias Garcia pertenceria primitivamente à freguesia de Beiriz.

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Os banhos da Póvoa: 1725 - 1973

As águas particularmente ricas em iodo da Póvoa, derivada do elevado número de algas que aportam nas praias poveiras, levam que, a partir de 1725, monges beneditinos percorram distâncias para tomar os "banhos da Póboa", em busca do iodo, considerado vigorante, e curas para problemas de pele e ossos através de banhos de mar e sol. Ao longo do século XVIII já outras populações se deslocavam à Póvoa com o mesmo propósito

A partir do século XIX, a afluência intensificou-se sobretudo entre as classes abastadas do Entre-Douro-e-Minho, levando a tomar feição cosmopolita, à afirmação da Burguesia no Centro da cidade e ao desenvolvimento do lazer. Surgem vários hotéis, teatros e salas de jogo. Tornava-se então no mais popular destino de férias do Norte de Portugal, o que leva a que investidores privados criem ligações ferroviárias com o Porto em 1875 e com o Baixo Minho em 1878.

A Póvoa não era apenas conhecida por ser uma estância balnear, mas também pelos balneários de "Banhos Quentes". O primeiro balneário de praia da Póvoa foi o Oceania que abriu na Avenida dos Banhos entre a Esplanda do Carvalhido e o Café Guarda-sol, a entrada era pela Rua do Ramalhão, 13. Depois desse abriram o Balneário Povoense na Rua Tenente Valadim, junto ao actual Casino, e o Balneário Lusitano no Passeio Alegre. Ainda hoje na crença popular poveira acredita-se que a água do mar tem efeitos benéficos, especialmente quando a maré estiver baixa, existindo proverbios populares, como Quando a maré estiver baixa, toma um banho e mete-te na cama ou Quando a maré estiver baixa, lava a tua chaga e ficará curada.

Em 1875, o julgado da Póvoa é elevada a comarca no dia 16 de Junho. Esteve na Póvoa hospedado o ex-Rei Carlos Alberto da Sardenha, com quatro outras personalidades, ali tinham chegado a 18 de Abril de 1849, depois de ter perdido a Batalha de Novara e abdicado a coroa para o príncipe real Vítor Manuel, que se tornou Rei de ItáliaA Póvoa de Varzim esteve envolvida na Revolta de 31 de Janeiro de 1891 albergando e dando fuga para Espanha, num barco poveiro, a Alves da VeigaNo entanto, a implantação da República em 1910 foi polémica, não foi bem aceite por parte da população caracteristicamente religiosa e ligada às tradições, tendo o representante da república que se abrigar da população em fúria no Palacete do Postiga (actual edifício da Polícia de Segurança Pública), no entanto outros populares celebraram a chegada da República pelas ruas da cidade.

O desenvolvimento da pescas no século XVII, da talassoterapia nos século XVIII e do lazer balnear no XIX, levam a que a Póvoa, no início do século XX fosse já maior que muitas das cidades portuguesas, referindo-se por isso, por vezes, como "vila-cidade". O vilacondense e poverista Baptista de Lima, aquando da elevação da vila vizinha de Barcelos em 1928, promove também a alteração do estatuto de "vila" para "cidade" à Póvoa de Varzim. No entanto, encontrou a oposição de outros poveiros que viram nisso desvantagens.

Salazar apreciava a Póvoa de Varzim e as suas gentes e tornou conhecido em todo o país a figura do Cego do Maio através de um texto na Cartilha da 4.ª classe, mitificando a dignidade e a coragem do pescador simples da região. Salazar era visita frequente de algumas famílias locais, com Virgínia Campos, com a benemérita Maria da Paz Varzim e a família Amaral. Eram vistas com frequência altas figuras do regime na histórica Ourivesaria Gomes da Rua da Junqueira

A massificação do turismo balnear, para o povo e agora não apenas para as elites, entre os anos 1930 e 60 levaram a um novo desenvolvimento urbanístico, que ultimou na atribuição do estatuto de cidade à Póvoa em 16 de Junho de 1973, através do decreto 310/73. É durante o Estado Novo que é finalmente construído oporto de abrigo por toda a Enseada da Póvoa ou o Palácio da Justiça.

Mais sobre este período:

Bairro Norte - A gentrificação, de bairro piscatório a balnear

Largo do Café Chinês - Os primeiros casinos

Passeio Alegre, Avenida Mouzinho de Albuquerque - A talassoterapia e o desenvolvimento balnear

Largo de S. Roque - Os primeiros hotéis

Rua Santos Minho - O teatro na Póvoa de Varzim

Basílica do Sagrado Coração de Jesus - A influência dos jesuítas e o republicanismo na Póvoa de Varzim

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A grande expansão territorial de 1836

Só com a grande reforma administrativa de 1836 é que o concelho da Póvoa de Varzim cresceu em dimensão, anexando a vila de Rates, que é extinta, e adquirindo paróquias que estavam no termo de Barcelos por estarem primitivamente na Terra de Faria, que se tornam então em freguesias civis: Balasar, Estela, Laúndos,Navais, Terroso, Outeiro Maior, Parada, Rio Mau, Santagões e o que restava da freguesia de Argivai.

Contudo, Amorim e Beiriz, junto da Póvoa de Varzim passaram para o termo de Vila do Conde, pelo meio do termo da Póvoa. Assim, a Póvoa de Varzim iniciou incessantes reclamações. Por intermédio do deputado José Fortunato Ferreira de Castro foi assinada uma representação às Cortes na sessão de 32 de Maio de 1837. No entanto, as pretensões poveiras não foram atentidas.

Em 1842, a representação da câmara da Póvoa de Varzim na Junta Geral do Distrito pede as freguesias de Amorim e Beiriz, oferecendo Outeiro Maior, Parada e Santagões em troca. Em 1849, a câmara deliberou novamente levar a questão à Representação Nacional, pela segunda vez, para que sejam incorporadas Amorim e Beiriz, principal queixa para dar continuidade ao seu concelho, e as freguesias de Touguinhó e Arcos por estarem a norte do Rio Este.

Pelas reformas de 31 de Dezembro de 1853, troca Outeiro Maior, Parada e Santagões por Amorim e Beiriz com a vizinha Vila do Conde, vendo assim a principal questão resolvida. Contudo, contra os seus desejos, Rio Mau foi para Vila do Conde e Balasar para Vila Nova de Famalicão. Em 1854, a câmara da Póvoa pede a devolução de Balasar e Rio Mau, e acrescenta Touginhó e Arcos que estavam em Vila do Conde. Por outro lado, Vila do Conde pede Argivai e Rates, chegando mesmo a requerer a anexação da Póvoa, o que leva a protestos da câmara da Póvoa porque já, na altura, a Póvoa tinha mais do dobro do número de fogos que Vila do Conde. Passados dois anos, a Póvoa consegue recuperar Balasar que tinha ido para Vila Nova de Famalicão.

A questão de Poça da Barca

A partir do século XVIII, a população piscatória poveira enquanto florescia economicamente, também crescia demograficamente, e dado a colmeia de pescadores Bairro Sul estar localizada no limite sul do município, o crescimento para o norte da freguesia de Vila do Conde foi natural, visto que o núcleo de Vila do Conde abraçava o rio Ave e as praias marítimas do norte da freguesia, praticamente desabitadas, foram sucessivamente povoadas por poveiros de diferentes castas piscatórias. No século XVIII, já Poça da Barca, ainda em volta da enseada da Póvoa, estava povoada por poveiros que alguns documentos históricos colocavam no termo de Vila do Conde. Assim, um novo processo de litígio entre a Póvoa de Varzim e Vila do Conde, sustentado na ideia, defendida pelos poveiros, de que Poça da Barca deveria administrativamente pertencer à Póvoa de Varzim. A 15 de Março de 1858, um ofício do Governo Civil refere para que a Póvoa troque os lugares de Cerca e Quintela de Argivai por serem contíguos a Vila do Conde, pelos de Poça da Barca e Regufe, tal como havia requerido. No entanto, no dia 16 um novo ofício declara lesiva para Vila do Conde tal anexação, se não se derem os lugares de Cerca e Quintela, apesar dos moradores de Poça da Barca terem também requerido a anexação à Póvoa. No dia 17, a câmara da Póvoa aceita ceder os ditos lugares ficando com o território até ao cruzeiro da Areia hoje Igreja Senhor dos Navegantes, no entanto, a alteração administrativa não se fez até hoje. Em 1890, é apresentado ao Parlamento, o projecto de anexação da Poça da Barca e de Regufe à Póvoa, sem sucesso.

A expansão territorial dos poveiros para território de Vila do Conde não pára chegando às Caxinas no final do século XIX. Desta feita0 é devido ao desenvolvimento do turismo balnear e a necessidade de construção de edifícios de férias para as várias famílias nortenhas que acorriam todos os Verões à Póvoa, e durante o século XX, outra vaga de poveiros, do Bairro Norte que se tornará num bairro balnear, instalaram-se nas Caxinas, terreno despovoado, num processo de movimentação populacional bastante significativo. A tentativa de anexação deste território de expansão continuou pelo século XX, mesmo durante o Estado Novo.

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A cidade contemporânea

No final da década de 1970 e ao longo de toda a década de 1980, iniciou-se um novo processo acelerado de transformação urbanística, desta vez desordenado, dominado pela especulação imobiliária, ao nível de preços dos solos e construção, que levaram a índices de construção elevados, e à continuação da expulsão da população tradicional por processos de gentrificação, em especial dos carismáticos pescadores, que vendem as suas propriedades aos agentes imobiliários e fixem residência no espaço livre a sul da cidade Caxinas e Poça da Barca, no termo de Vila do Conde, levando aí também a uma urbanização bastante acelerada e a ligar urbanisticamente a Póvoa e Vila do Conde, até então separadas por território despovoado. O que por último, provoca a perda de população nos limites físicos da cidade e influência regional.

A partir do final da década de 1990, a cidade inicia um processo de regeneração urbanística e pedonalização visto que finalmente pode começar a usar os recursos da concessão de jogo, nomeadamente nas principais ruas e praças e procede à expansão física da cidade para freguesias limítrofes, em especial a área interior usando a novaAvenida 25 de Abril como bandeira, dado que tinha se desenvolvido comprimida e rodeada de crescimento suburbano incoerente, o que por último leva a um crescimento da população urbana na ordem dos 23% entre 1991 e 2001, depois de uma queda de 1.3% na década anterior.

FONTE WIKIPÉDIA

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